

Ilustração: Milo Manara
Invenções Teológicas
Vimos que os sentimentos religiosos são
naturais nos seres humanos. Veremos agora algo que os
cientista e teólogos chamam de invenções
teológicas... as religiões.
"Imagine um por do sol; uma procissão
de fiéis,
com velas acesas, acompanhando Jesus morto; uma chacina
de inocentes... são cenas de alto conteúdo
emocional. São momentos religiosos onde o instinto
genético predomina e o homem é levado
a um estado contemplativo. Esses momentos solenes trazem
grande bem estar e solidariedade para o ser humano"-(Huáscar
Terra Valle). À medida que, historicamente esses
rituais foram se sofisticando, aconteceu de líderes
religiosos perceberem seu grande poder ( de traduzir a
linguagem do inconsciente - a voz dos genes. A palavra
de Deus) o comportamento dos fiéis, passou a ser
regulado por normas, mandamentos e preceitos.
A solenidade e o mistério passaram a ser explorados
pela religião e com cobrança de impostos
divinos. Os rituais tornaram-se propositadamente irracionais,
muitos sanguinários e cruéis, com o objetivo
de evocar sentimentos místicos. Com a eficiência
do controle da mente das populações, instituiu-se,
em todas as culturas, a fusão do clero com o poder
político. E toda nação, adotou uma
religião oficial.
Aparentemente a fusão dos poderes políticos (somático
/terreno ) e o poder do clero (genético / e místico), traria
harmonia para os povos, e algumas poucas vezes isso aconteceu. Mas os fatos
históricos dizem diferente: as perspectivas, a luta, o sacrifício
e morte, de tantos profetas, santos e de milhares de fiéis e messias
verdadeiros, culminou não na ascensão do espírito humano,
mas de castas imperiais de sacerdotes.
Essas organizações corporativistas, corromperam a ordem e a seleção
natural. A cultura, a civilização, o progresso dotaram os naturalmente
mais fortes em mais aptos, e mais espertos, a unirem-se em grupos políticos,
militares e religiosos. Esses grupos ligados por interesses econômicos
têm provocado a concentração de renda a exploração
predatória da natureza, as guerras, e a escravidão humana, disfarçada
de democracia.
Ao contrário das outras espécies animais, o ser humano, mais
capaz, transformou- se num animal desnaturado. Uma espécie mutante,
portanto insatisfeita e insaciável.
Não é exagero dizer que os governos do mundo, com raríssimas
exceções, são o núcleo ativo do crime organizado.
Os políticos, sem dúvida, integram a casta dos predadores dos
bens públicos e da energia da classe trabalhadora.
Essas elites, (os eleitos) sempre se valeram do instinto somático (corporal
e corporativista) para ampliar seus domínios, utilizando as bandeiras,
solidárias do instinto genético,
através dos tempos. O curioso é que, a cada período em
que esses conflitos de instintos, que deveriam ser equilibrados e harmônicos
se transformam num impasse histórico, caem impérios e nações.
As revoluções, rebeliões, provocadas por ideologias ou
seitas fundamentalistas; os movimentos populares, a violência urbana,
são, na realidade sinais exteriores, de algo muito mais profundo.
Em nossa época, o que está se constatando é uma gritante
falência das elites. Com a ampliação da consciência
das pessoas comuns (por isso mesmo mais próximas das leis naturais)
e dos bilhões de excluídos do mundo (que representam, na prática,
um imenso potencial energético de frustração) está delineada
uma revolução que nenhum partido ideológico ou grupo organizado
conseguiria promover. Ou reprimir.
Não será mais a vinda de um salvador, pois todos eles já vieram,
mas será algo mais poderoso e temível do que centenas de bombas
nucleares, que acontecerá, no interior do ser humano. Será o
encontro de cada ser com sua própria consciência. A revelação
da verdadeira natureza do homem.
Não se pode prever quanto tempo levará e de que modo se dará essa
mudança, em termos sociais, mas indícios já estão
na nas ruas. (GH) - No próximo número. Verdades
proibidas.
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