Número 8 - Belo Horizonte 08/outubro/2004

 
 



Texto de Gérson de Holiveira

Linha branca
Bobeira, Lia, é querer vender geladeira pra quem exporta
frente fria.


O Rato
esteve aí.
Que rato?
O rato do FMI.

Um trabalhão
pra vender. Uma venda
pra receber.

Maturidade, é
anarquia com
responsabilidade.

Amor patético,
o de Electra
com Édipo.


Ecologia
é poder viver
na Bahia.

Aquecimento
global?
Então Tao.

A vida é bela,
vista assim,
da passarela.

De manhã,
a psicóloga despertou,
no divã...



John Kerry o presidente darrente
Agora sei como é...pobre povo brasileiro. Metade da população à toa, pelas praças... isso é falta de trabalho!

Frases do Millor

- A burocracia ficou rica no dia em que inventou ao mesmo tempo a certidão e a servidão.

- O capitalismo não perde por esperar. Em geral ganha 6% ao mês.

- A diferença fundamental entre Direita e Esquerda é que a Direita acredita cegamente em tudo que lhe ensinaram, e a Esquerda acredita cegamente em tudo que ensina.

- Eu sei sempre do que é que estou falando. Tirando isso não sei mais nada.

- Inércia é uma energia gerada pela preguiça de sair de onde se está.

- Morte súbita é aquela em que a pessoa morre sem o auxílio dos médicos.

- Idade da razão é quando a gente faz as maiores besteiras sem ficar preocupado.

- Apesar de sexagenário ele fazia sexo quase todos os dias. Quase no domingo, quase na segunda, quase na quinta.

- Os franceses inventaram o "esprit de corps". Os brasileiros inventaram o esprit de porc.

Millor - www.millor.com.br

 



Alguns resultados eleitorais em Minas

@ Márcio Metzker

Aécio Neves comemora a conquista de 148 das 853 prefeituras de Minas no primeiro turno, arrebanhando 1.898.848 votos para prefeito. De fato, o desempenho do PSDB foi melhor que em 2000, quando conquistou 136
prefeituras, com 1.052.115 votos. Mas o grande vencedor nesta eleição foi o PT, que conquistou 86 prefeituras, mas arrecadou 3.016.774 votos. Em 2000, o PT foi o sexto colocado, com 34 prefeituras e apenas 817.314 votos.

Se é verdade que cada eleição arma o jogo da próxima, Aécio sofreu um rude golpe em suas pretensões de ser a estrela ascendente da direita, aspiranteà presidência da República, ao perder a eleição para prefeito de Belo Horizonte no primeiro turno. Nenhum governador pode se afirmar nacionalmente se não fizer o dever de casa de conquistar a Prefeitura da Capital. Ponto para Geraldo Alckmin, que colocou Serra na dianteira do segundo turno em São Paulo. O fenômeno de rejeição aos candidatos apoiados por Aécio tem fácil explicação: as quedas-de-braço que Aécio vem travando com a imprensa e com o funcionalismo público perpassaram para as demais camadas da sociedade.

O PSDB manteve a segunda colocação na eleição em Minas. Em 2000, o grande vencedor foi o PMDB, com 230 prefeituras. Agora caiu para 141. O PFL tinha 152 prefeituras em 2000. Agora conquistou apenas 120. O PL é um partido em ascensão, ao conquistar 88 prefeituras, contra 61 em 2000. Também dobrou seu eleitorado, de 655.020 para 1.209.768, e subiu de 8º para 4º no ranking.

Das cinco cidades mineiras com mais de 200 mil eleitores, apenas Belo
Horizonte resolveu a eleição no primeiro turno. Contagem, com 381.743
eleitores, terá enfrentamento entre Ademir Lucas (PSDB) e Marília Campos (PT), com vantagem para esta. Uberlândia, com 358.483, viverá a disputa entre Odelmo Leão (PSDB) e João Bittar (PL). Os derrotados devem se unir contra o tucano. Juiz de Fora (346.354 eleitores) terá Alberto Bejani (PTB) contra Custódio Mattos (PSDB). Nessa cidade, os derrotados devem se unir contra Bejani. Em Montes Claros (206.439 eleitores), Athos Avelino (PPS) combate Luiz Tadeu Leite (PMDB).

Na próxima eleição, duas novas cidades deverão entrar no grupo do 2º turno:
Betim, que hoje tem 199.607 eleitores, e Uberaba, que tem 194.045. Se
crescer mais de 10%, também Governador Valadares entra na lista, porque hoje tem 178.962 eleitores. Para o futuro, Ipatinga e Ribeirão das Neves devem atingir os 200 mil. Hoje estão por volta de 150 mil cada.

 



O economista e professor François Chesnais, da Universidade de Paris, fala sobre o Brasil, país de sua admiração.

Foto: Menandro Ramos

Os fluxos de capital estrangeiros ajudaram a estabilização do início do Plano Real, a redução das taxas de inflação... O sr. não vê nenhum benefício no modelo atual?

Onde estão os benefícios do neoliberalismo para a maior parte da população? Para os mais pobres? Nós vemos que os pobres se tornam cada vez mais pobres. O número de pessoas no Brasil que se beneficia no modelo neoliberal é muito pequeno. É, no máximo, 15% da população. Não podemos continuar a fazer políticas que beneficiem só essa parcela. Para aqueles que têm necessidade de mudanças, é preciso explicar que a batalha será muito dura e que não poderá ser vencida sem engajamento.

Como sair desse modelo de globalização? Voltar à "era Vargas"?

Não, a minha posição não é a de defesa do modelo de Getúlio Vargas. É muito mais radical. Proponho estabelecer, numa escala de um país continental e rico como o Brasil, um modelo de apropriação social, de despesas planificadas segundo a ordem das necessidades mais urgentes. Esse modelo estabeleceria as condições para a criação de uma democracia que não conheceria os mesmos problemas enfrentados por Cuba. Uma boa parte das pessoas que participaram da formação do PT ainda está ativa e tem grande experiência política. Temos todos os elementos para uma ruptura vitoriosa no Brasil.

E o que viria após a ruptura? Que modelo de Estado seria formado a partir dela?

Certamente não seria um Estado nos moldes soviéticos. Esse novo Estado não teria como objetivo desenvolver uma burocracia pública muito grande e poderosa. Seria um Estado com o menor número de pessoal possível. É uma idéia totalmente nova que precisará de bastante criatividade. Do ponto de vista econômico, é fundamental o controle de recursos sob um sistema de planificação leve. Alguns mecanismos da economia de mercado seriam mantidos, mas o planejamento econômico seria planificado. As questões macroeconômicas seriam subordinadas às prioridades sociais do governo.

Como fazer avançar uma ruptura tendo em vista que o Brasil tem acordos estabelecidos com outros países?

Todo acordo pode ser revogado. O único desafio é o de explicar bem, para as pessoas para quem se está governando, quais são os objetivos. A única política de esquerda é a da ruptura.

O governo Lula parece longe de caminhar para esse tipo de ruptura. Entre a ruptura radical e o modelo neoliberal, há uma "terceira via" possível?

Não. Não existe. A nova política seria endossada pelo apoio popular e pela intervenção direta das pessoas no processo e no entusiasmo das novas gerações. Nesse ponto, ela seria uma ruptura com o "socialismo real" e com um regime chinês. Logo, seria um caminho novo. Essa ruptura poderia se dar com calma, a não ser que as classes ricas se oponham e usem a violência. Não há uma via intermediária. A administração Lula prometeu uma via intermediária com uma primeira fase mais difícil e, depois, o crescimento. Mas um crescimento para quem? Quando se mantém um salário mínimo tão baixo, não dá para trazer crescimento para os mais pobres.

O senhor está decepcionado com o governo Lula?

Eu não estou mais decepcionado. Eu analiso. Meu momento de decepção é muito anterior. Ele data de julho de 2002, quando Lula assinou um acordo com o FMI junto com os outros candidatos. Desde então, não tenho mais nem decepções nem surpresas. O que vejo apenas reforça a minha convicção de que não existe "terceira via" possível.

 


DAO IN (Prática corporal)

Dao In, em chinês, significa caminho interno. É um trabalho corporal (semelhante ao Tai Chi Chuan) e pode ser praticado, permanentemente, por pessoas de todas as idades. O Objetivo é desenvolver a harmonia e o equilíbrio energético corpo/mente, no praticante. O curso inclui alongamento, técnicas de relaxamento e meditação. As Aulas são sempre às terças e quintas feiras, em dois turnos:às 7:30 e às 18h. Outas informações com Trindade- Fone (31) 3212 8280

Transgênicos: coloque o dedo nessa história!


foto: GreenPeace

Faça com que os políticos eleitos com nosso voto respeitem a opinião de 80% dos brasileiros que não querem a liberação dos transgênicos (pesquisa ISER 2004).
O Senado deve votar nos próximos dias o Projeto de Lei de Biossegurança, que estabelece critérios para uso e cultivo de transgênicos no Brasil. A contaminação genética causada pelos transgênicos representa um risco imprevisível e irreversível. E os patrimônios agrícola e ambiental brasileiros poderão ficar nas mãos das grandes corporações que detêm a tecnologia transgênica.


JUNTE-SE A NÓS! PROTESTE AGORA!


Acesse já: www.greenpeace.org.br/brasilmelhor


Envie sua mensagem de protesto para que o Governo Federal respeite a população brasileira e o meio ambiente e não libere os transgênicos.

Você pode fazer algo.
Juntos podemos fazer muito!
Filie-se ao Greenpeace!
www.greenpeace.org.br

Manifesto dos mineiros em prol da saúde ameaçada

Livros de Marco Aurélio Cozzi

Anais do evento "Saúde em debate", na Faculdade de medicina da UFMG em 05/12/02. 'A venda nas principais bancas de revistas, lojas naturais e farmácias homeopáticas de Belo Horizonte.

Outros lançamentos

"Ação sobre o Mundo Acadêmico Mineiro"-09/2002i170pgs. "SOS terapias ecológicas"-2001-260pgs.

Check-mate Scientific?
Alerta à população local e global

1- Eugenia-novos paradígmas. O monopólio da saúde e a
existência humana planetária.
2- Realidade contemporânea e terceiro milênio, a Escatológica.
3-A ciência metafísica e o cientifismo corporativista. A alopatização das medicinas energéticas. Os paradoxos cientificos. A metaciência.(no prelo)




Durante debate recente em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque do PT, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro.


Segundo Cristovam, foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para a sua resposta:
" De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de! aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalizção de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas a França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um pais. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos a presidência dos EUA tem defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.

Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir a escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa."

O canto das sereias do oriente

Ou de como a divindade trabalha para
unir nossos hemisférios cerebrais.

Quando Jung esteve na Índia, ficou protegido vivendo em bolhas de ar ocidental, pela objetividade, causalidade e por todo aparato da intelectualidade. Lá ele concluiu:" É possível que a Índia seja o verdadeiro mundo e que o homem branco viva num manicômio de abstrações."

Gita Metha, escritora indiana contemporânea, e nossa musa, acrescenta: Se o homem ocidental vive num manicômio de de abstrações, o indiano vive num manicômio de distrações, mas dá a elas nomes filosóficos, como bhakti yoga, a meditação da adoração; hatha yoga, a meditação da resistência física; tantra yoga, a meditação dos sentidos; guru yoga, a iluminação pelo mestre e a reencarnação, a iluminação pelo renascimento.

A caminho da loucura divina

Sem abstrações o homem branco se desintegraria na Índia. O indiano, por outro lado, vive mais perto da realidade, então tem de tomar medidas evasivas mais elaboradas.

A espiritualidade ocidental é regida por dogmas. O pensamento indu não tem dogmas, mas vive perseguido pelo Dharma que segundo Gita Metha, significa não haver distinção entre o caos e a ordem. Aceitar o bem e o mal como indivisíveis; testemunhar a continuidade simultânea como ordem moral, o ser, como um processo infindável de tornar-se... e contudo agir. Significa que nós não podemos seguir a lei. Nós somos a lei.

Comprando tempo ao tempo

E ela continua: "Quando se reconhece que o Dharma é duro demais, nossas meditações e nossas técnicas espirituais degeneram em técnicas de suborno e esses sistemas são usados para comprar tempo ao tempo. E temos um nome filosófico para os sistemas de suborno: chamamos de lila, a meditação da brincadeira... como as gozações que são perpetradas nos mosteiros e ashrans da Índia."

Lilas também, são os devaneios, as distrações divinas, que dão nome e inspiração, a esta seção.
Aqui nos permitimos a um único tipo de suborno: comprar tempo ao tempo.

Rindo de nós mesmos, cantando, dançando e sonhando... e no entanto, agindo ( tomando consciência, inclusive política, de nosso lugar na vida).

As diversas formas de meditação continuarão sendo nosso tema, sempre com a ajuda dos mestres. Muito de belo ainda há que se revelar.(GH).


Mudanças climáticas podem custar caro, alerta ONU


Genebra - As fortes mudanças climáticas que estão sendo observadas nos últimos anos em várias regiões poderão custar caro para a economia mundial. Segundo o estudo Mudanças Climáticas e Serviços Financeiros, publicado hoje pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os problemas ambientais poderiam gerar custos de até US$ 150 bilhões por ano até 2012. Além disso, os prejuízos nos últimos 15 anos já chegaram à US$ 1 trilhão.

Segundo o relatório, os custos econômicos das catástrofes ambientais poderiam ainda levar à falência instituições financeiras, como seguradoras em vários países, inclusive nas regiões ricas do mundo. Um exemplo desses problemas financeiros ficou claro com as inundações de parte da Europa Oriental há dois meses e que deixou os governos e seguradoras em situação complicada para pagar pelos danos causados pelas chuvas.

"O aumento da freqüência de eventos climáticos sérios possui o potencial de estressar seguradoras e bancos a ponto de abalar a viabilidade deles ou mesmo levá-los à insolvência," alertou o estudo.

Para o relatório, o Protocolo de Kyoto não é suficiente para combater o problema climático no mundo. O acordo foi assinado por muitos países, inclusive pelo Brasil, e os obriga a diminuir a emissão de gases que causam o efeito estufa na atmosfera.

O documento, que foi preparado após reuniões da agência da ONU com 295 bancos, companhias de investimentos e seguradoras, propõe que instituições financeiras incentivem as empresas a contribuir para o clima mundial. Entre as iniciativas, os agentes financeiros poderiam negociar taxas de emissão de gás com empresas e oferecer prêmios àqueles que adotem medidas contra a poluição.

Segundo a ONU, os agentes financeiros também devem atuar para mostrar que os negócios no setor ambiental podem gerar lucros para as empresas.

As estimativas apontam que somente no setor de "energia limpa", o mercado mundial deverá chegar a movimentar US$ 2 trilhões até 2020.

 

Os Falcões de Bush

Quando se fala em futuro do mundo, os "falcões" de Bush não pensam no quarto milênio. Falam da expansão do império neste início do terceiro milênio. A esse respeito, vale destacar a advertência do tenente-brigadeiro Sérgio Xavier Ferolla, ministro do Superior Tribunal Militar: a derrocada da potência comunista tornou evidente a hegemonia norte-americana, com seu impressionante poderio militar e econômico que fará qualquer coisa para manter-se no comando das iniciativas.

O projeto de integração nacional brasileira, que se iniciou quando dom Pedro I determinou a instalação da primeira colônia militar no rio Araguari (que se estenderia do Oiapoque até Tabatinga), na fronteira Norte, é uma questão primordial para a sustentação da soberania nacional.

Mais cedo do que se imagina, teremos disputas pelo domínio dos recursos hídricos, e então explodirá a questão amazônica, como aconteceu na metade do século passado, com o projeto da Hiléia Amazônica (encampado pela Unesco), e que só não vingou graças à intensa luta patrocinada pelo Clube Militar e o ex-presidente Arthur Bernardes, então deputado federal pelo PR. Em 197l, em palestra na Escola de Guerra, o embaixador Araújo Castro alertou para o projeto dos Sete Grandes de cercear o desenvolvimento do terceiro mundo. É o que se concretiza hoje com o plano de Bush II de congelamento do poder mundial , falando-se em termos de poder militar, político, econômico, científico e tecnológico.

Nada mais atual do que repetir a palavra de Euclides da Cunha, em 1902: "O Brasil está diante de um dilema: ou progredir ou desaparecer". Na verdade, nenhum país escapa ao seu destino e o Brasil não tem outra escolha: deve montar urgentemente o seu projeto de emancipação, em perfeita consonância com as Forças Armadas, que são instituições permanentes da vida nacional.

O ministro da Defesa, diplomata José Viegas, em conferência para os oficiais-generais das Forças Armadas (23/2/2003, na sede do Clube Militar), reiterou que a função essencial das Forças Armadas se refere à preservação da soberania e da integridade do território nacional . E citou trecho do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar: "Podemos adiar temporariamente, mas não podemos postergar indefinidamente o reaparelhamento das nossas Forças Armadas. Temos fronteiras que precisam ser prevenidas, vazio demográfico que precisa ser resguardado, espaços aéreos que precisam ser vigiados e áreas marítimas que precisam ser patrulhadas. As forças de terra, mar e ar têm um dever essencial e, para cumpri-lo, têm de estar preparadas, equipadas e bem treinadas".

(Dídimo Paiva - Jornalista)


Agradecimentos a Márcio Metzker, Sandra Guimarães (Prodemge), Cláudia Regina (Oi Savassi).

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