Número 9 - Belo Horizonte 22/outubro/2004

 
 

Aquela fera que gostaríamos de conviver
( E que muito bem, pode ser você)

Foto: Dave Cape

Tem um olhar sereno e envolvente.

É de uma calma irresistível... de uma tranquilidade espiritual que não é passiva.

Sempre tem tempo e sabe onde quer chegar.

Quando entra num recinto é notada por sua postura.

Gosta da vida e sente-se bem fazendo o que é necessário.

Aceita o inevitável (uma recepção maçante, um congestionamento de trânsito, ou ficar sozinho).

Não manipula os outros nem se deixa manipular.

Não necessita de aprovação, elogio ou aplauso de ninguém.

É autoridade sem dominação.

Entende que a crítica e a desaprovação fazem parte da vida.

Trabalha naturalmente para fortalecer suas qualidades e reduzir seus defeitos.

Evita discussões estéreis.

É responsável sem ser sério.

Vive feliz, na certeza de que o mundo é o holograma de sua existência.


Interpretação dos Desejos Ardentes
(Poema de Ibn Arabi-1165 a 1240)


meu coração
está aberto
a todos os ventos.
Ele é uma pastagem
para as gazelas,
e um templo
para os ídolos.
A pedra negra
do peregrino de meca,
a Tábua do torá
e o Livro do Corão.
Minha é a religião do amor.
E para onde forem
as caravanas de Deus,
a religião do amor
será a minha religião
e minha fé.

 

Foto: Gérson de Holiveira-Bailarina: Josiane Tavares.
Mantra
Gérson de Holiveira

Guarde o verde dos quintais;
rasgue véus e alianças.
Nessa noite surgirão os sinais;
mantras, risos de crianças.

A Eva futura é você
nesse plano bissexto.
A dama de capa e espada,
domando o dragão.
Cumprindo o voto sagrado
do ventre perfeito.
Gerando o novo contexto,
Unindo razão e coração.

Hei de ve-la como guia
da brilhante alvorada.
A bailar, a despertar
harmonia. Na multidão
alucinada.


Zen-Budismo.O Himalaia é aqui e agora.

"Pouco adianta falar, muito menos escrever. Os pássaros cantam e o sol surge diariamente sem explicações. Assim deve ser todas as coisas"

Texto de Carl Jung

Os Himalaias estão dentro de nós..assim como estão dentro de nós estão todos os deuses, os demônios, o inferno, o paraíso e acima de tudo aquilo que é a paz fundamental. Não pensem, entretanto, que buscar alcançar a paz que sempre existiu é fácil, que o caminho é suave. Milhões de anos de conhecimento nos separam do que está aqui e agora, diante e dentro de nós. Que culpa tem o Sol se andamos de cabeça baixa. Mergulhem! mas antes disto, Stop!

PAREM! parem por um momento o gesto sem finalidade, o raciocínio sem controle, o remoer de conceitos sem fim.
PAREM para encontrar o que não se procura, é preciso parar. e preciso não agir para que surja a ação pura em sua manifestação.

Essa atitude é o chamado Zazen. Zazen é sentar pura e simplesmente.
é sentar, muito diferente do sentar que estamos habituados. Por um instante prestemos atenção a uma estátua de Buda. Observemos a espinha ereta, os olhos semi cerrados, as mãos superpostas, os polegares na posição de equilíbrio na balança, as pernas cruzadas. fiquemos nesta posição, dentro de um quarto tranqüilo, durante meia hora diariamente, de preferência pela manhã e à noite. Não se deve pensar em nada, nem tentar se opor aos pensamentos, que devem ser observados como quem observa as ondas num rio que passa. E só.
(Carl Jung)

Mas eu pergunto: teremos paciência , concentração e disponibilidade
de monge? E a revolução que grita dentro de nós? A necessidade real de realização, como ficam? Não vivemos no mundo opulento e sereno em que viveu Buda, há vinte e cinco séculos. Nem no país civilizado onde viveu Jung.

Nós somos fundamentalmente um povo tribalista... (uma tribo é uma coalisão de pessoas que vivem e trabalham juntas, como iguais para obter seu sustento. Diferente dos bárbaros que são pessoas tribais que vivem num estágio mais primitivos que o nosso) não nos esqueçamos.
Agora entenda os caras-pálida:

"Somos inclinados a pensar nos caçadores e coletores como pessoas pobres porque elas não tem nada. Por essa razão mesma, talvez fosse melhor pensar neles como pessoas livres"
Marshal Sahlins

E a nossa revolução? veja a dica Zen que nos dá um cara legal chamado Daniel Quinn: "A religião (o ópio do povo) é um barbitúrico que diminui a dor e faz você dormir (e do ponto de vista da classe dominante, é esse ópio que mantém as massas quietas e submissas, com a herança prometida aos mansos, continuando plantada nos futuro". Um futuro que nunca chega. E sobre a revolução Daniel Quinn esclarece:"Como todos sabem (principalmente os revolucionários) a Hierarquia (as elites) mantém defesas colossais contra o ataque das classes baixas. Mas não tem nenhuma defesa contra o abandono (e contra o desprezo)." Nós, todos, só temos deixar de lhes dar apoio.
Quando o avião está com problemas você não mata o piloto, você pega um pára-quedas e pula. NÃO FAZ SENTIDO QUERER DERRUBAR O IMPÉRIO, NÓS SÓ QUEREMOS DEIXÁ-LO PARA TRAZ. Não existe uma maneira boa de viver para todos. Nós não precisamos mudar o mundo, mas é importante mudar nossa mentalidade".

Esse Daniel... é dos meus... É um dos nossos. Na próxima edição tem mais.(GdeH)

 

Zezé Aun-Pintora

Contatos pelo fone (31) 9611 1348

 



 


Texto de Gérson de Holiveira

Ídolos de lama
Lama sabashtani, ó antas de Giorgio Armani ?


Duda Mendonça,
do Sétimo Céu,
ao céu
da boca da onça.

O mundo esquenta,
o mundo degela.
e a mulher brasileira
mais bela.

Glória Kalil na real:
as botocadas,
as siliconadas,
e os bombados.
Que baixo-astral.

o guru quer
me fazer de limão.
ou de massa
de macarrão.


A alienação
consumista tornou-se
enfim, um dever
inalienável.

A premonição?
o dinossáuro, fardado,
entrando no camburão.

FHC em paz...
pode até viver
de direitos autorais.

Na oposição
é fácil ser esquerda.
na situação,
uma delícia ser direita.




 


Manifesto dos mineiros em prol da saúde ameaçada

Livros de Marco Aurélio Cozzi

Anais do evento "Saúde em debate", na Faculdade de medicina da UFMG em 05/12/02. 'A venda nas principais bancas de revistas, lojas naturais e farmácias homeopáticas de Belo Horizonte.

Outros lançamentos

"Ação sobre o Mundo Acadêmico Mineiro"-09/2002i170pgs. "SOS terapias ecológicas"-2001-260pgs.

Check-mate Scientific?
Alerta à população local e global

1- Eugenia-novos paradígmas. O monopólio da saúde e a
existência humana planetária.
2- Realidade contemporânea e terceiro milênio, a Escatológica.
3-A ciência metafísica e o cientifismo corporativista. A alopatização das medicinas energéticas. Os paradoxos cientificos. A metaciência.(no prelo)

DAO IN (Prática corporal)

Dao In, em chinês, significa caminho interno. É um trabalho corporal (semelhante ao Tai Chi Chuan) e pode ser praticado, permanentemente, por pessoas de todas as idades. O Objetivo é desenvolver a harmonia e o equilíbrio energético corpo/mente, no praticante. O curso inclui alongamento, técnicas de relaxamento e meditação. As Aulas são sempre às terças e quintas feiras, em dois turnos:às 7:30 e às 18h. Outas informações com Trindade- Fone (31) 3212 8280

Transgênicos: coloque o dedo nessa história!


foto: GreenPeace

Faça com que os políticos eleitos com nosso voto respeitem a opinião de 80% dos brasileiros que não querem a liberação dos transgênicos (pesquisa ISER 2004).
O Senado deve votar nos próximos dias o Projeto de Lei de Biossegurança, que estabelece critérios para uso e cultivo de transgênicos no Brasil. A contaminação genética causada pelos transgênicos representa um risco imprevisível e irreversível. E os patrimônios agrícola e ambiental brasileiros poderão ficar nas mãos das grandes corporações que detêm a tecnologia transgênica.


JUNTE-SE A NÓS! PROTESTE AGORA!


Acesse já: www.greenpeace.org.br/brasilmelhor


Envie sua mensagem de protesto para que o Governo Federal respeite a população brasileira e o meio ambiente e não libere os transgênicos.

Você pode fazer algo.
Juntos podemos fazer muito!
Filie-se ao Greenpeace!
www.greenpeace.org.br


DECLARAÇÃO DE VOTO

@ Márcio Metzker

Durante muitos anos, vivi o dilema de votar em pessoas ou em programas partidários. Por natureza e rebeldia, sempre fui simpático aos partidos de esquerda, não só pelo prazer de enfrentar o risco que essas escolhas nos colocavam no passado, mas também por entender que a direita já estava suficientemente organizada para defender seus interesses, sem precisar da minha ajuda.

Estive prestes a ingressar no PT, na época da fundação, e em outra época periguei entrar para o PCdoB, ao qual presto serviços esporadicamente, quando solicitado. Hoje dou graças a Tupã por ter me livrado de ser militante partidário, um handicap incapacitante para o exercício isento e imparcial do jornalismo. Acho que nós, jornalistas, podemos abraçar causas, principalmente as dos oprimidos, dos injustiçados, dos excluídos e do bem comum. Nunca ingressar em grupos, conselhos corporativistas, máfias, partidos ou maçonarias, para não perder a liberdade de crítica.

Depois que o PT demonstrou - com os casos Valdomiro Diniz e com a gastança do Delúbio Soares - que é um partido como qualquer outro, e que muitas vezes considera-se um fim em si mesmo, e não uma ferramenta para alcançar um ideal, considero resolvido o dilema de votar em pessoas ou em partidos.

Pessoas podem merecer nossa confiança. Partidos jamais. Por isso decidi que doravante só vou votar na pessoa de melhor caráter, esteja em que partido estiver.

Muitos anos de cobertura política arrefeceram meu maniqueísmo e minha crença de que a dignidade e o caráter seriam prerrogativas da esquerda. Tenho visto, na Assembléia, exemplos duradouros dessas qualidades em deputados do PFL, e também exemplos contrários nos partidos de esquerda. Espírito público e conduta pessoal irrepreensível são virtudes que podem encontrar acolhida em qualquer partido.

Nesta eleição, escolhi votar em João Leite, sem me prender muito ao receio dos nomes que poderiam ascender com ele à Prefeitura. Acho que um chefe idôneo pode controlar o mais patife dos seus auxiliares. Convivi muito tempo com João Leite na Assembléia, e tenho visto nele exemplos desinteressados de compaixão e de espírito humanitário que admiro particularmente por serem qualidades minguadas em mim.

Quando combate pelos direitos humanos dos presos, João Leite não está defendendo bandido. Está condenando, como qualquer cidadão decente, que o funcionário público policial ou agente carcerário exorbite de suas funções e recorra à tortura, ao espancamento e às execuções sumárias, pretendendo que a sociedade considere normal esses desvios. Sou testemunha do trabalho que João Leite e sua mulher, Eliana, fazem nos finais de semana, com visitas de apoio moral e religioso a doentes mentais, pacientes incuráveis internados em clínicas e hospitais. Fazem isso desde muito antes de João ser deputado, ou de ser candidato a prefeito.

Fernando Pimentel eu não conheço, mas me lembro, quando Célio de Castro resolveu filiar-se ao PT, que a piadinha dos militantes era de que
precisavam filiar também o Pimentel. Não aprovo sua maneira de administrar minha cidade, gastando R$ 170 milhões por ano em mal-explicadas "consultorias" e destinando apenas 0,2% do dinheiro público para as obras do chamado "orçamento participativo".

Desaprovo também que a administração permita um radar à espreita em cada esquina deserta e fiscais da BHTrans que já desçam das kombis escrevendo multas, sem sequer dar ouvidos aos motoristas. Acho que essa postura tributeira extorsiva contra o cidadão é a herança maldita que o PT irá deixar.

Mas tenho boas explicações para a vitória acachapante de Fernando Pimentel. Uma delas é que todos os militantes que ganharam cargo sem concurso na Prefeitura foram para as ruas agitar bandeiras, em defesa do seu empreguinho. Tenho vários amigos que trabalham nessas condições, mas não considero isso razão suficiente para que eu vote num prefeito. A outra explicação é a síndrome de Estocolmo.

Tenho um amigo que ocupava um cargo remunerado num desses múltiplos conselhos municipais. Sem explicações, esse cargo lhe foi tirado e passado para um militante do PT. Meu amigo ficou em dificuldades para pagar seus compromissos. Outra amiga tinha um emprego de R$ 2.700,00 na Prefeitura. Alegando equilíbrio nas contas, Pimentel a demitiu e ofereceu recontratação por R$ 1.600,00, e ela teve que aceitar, para não ficar desempregada. Um colega tomou uma multa de R$ 500,00 de radar na Avenida Antônio Carlos, quando corria de madrugada para levar sua filhinha em crise de asma para o hospital. Recorreu, explicou, apresentou provas, mas não adiantou. Teve que pagar a multa exorbitante.

Para minha surpresa, essas três pessoas, que teriam toda a razão para odiar a administração municipal, declararam que iriam votar no Pimentel. Ou seja, a eleição do prefeito teve muito a ver com esse estranho componente masoquista. Em psicanálise, chama-se síndrome de Estocolmo: o seqüestrado se apaixona por seu algoz.


No Dia 02 de novembro entra em vigor o horário de verão.
O horário de verão não está sendo usado para diminuir o consumo de eletricidade e evitar um possível blackout em horários de pico.
Ele está sendo um instrumento político para que o comércio venda mais. Porque as pessoas saem do serviço com o dia claro e encontrando as portas do comércio abertas acabam por consumir mais. E o governo arrecadando mais impostos

Uma prova disso é que o na época do racionamento o consumo ficou 30% abaixo do normal, resultado da economia que as pessoas fizeram e que depois essa mesma população foi "premiada" por esse ato de cidadania em economizar - com um aumento na conta da ordem de 28 %, para as companhias não verem os seus lucros diminuírem. E mesmo assim o horário de verão foi confirmado para aquele ano.

No ano passado, no Rio de Janeiro, foi pedido para que o horário de verão se estendesse até depois do carnaval, numa atitude política e não técnica como meio de aumentar o turismo.

E porque também a imprensa não informa sobre o verdadeiro motivo do horário de verão, e se limita apenas a inmformar que o horário começa no dia x e termina no dia y?
Não é possível que nenhum jornalista ainda não tenha enxergado a verdade. Ou é porque a imprensa está conivente com essa mentira e impede que seus jornalistas falem a verdade?

O horário de verão desregula o relógio biológico do corpo, trazendo uma série de problemas para a saúde.

Se você não concorda com essa mudança de horário, repasse esse email para pessoas que você conhece, para os políticos e autoridades e jornalistas.

Não deixe que façam de você um instrumento para alguns poucos lucrarem mais.

Os comerciais de TV da Justiça Eleitoral, afirmando que as urnas eletrônicas usadas nas eleições do país são "100%" brasileiras é um dos maiores absurdos que já vi. O governo federal deveria ser processado com base no código de defesa do consumidor.

Mentira deslavada, elas tem o software básico "extremamente confiável" Windows (até onde sei, a Microsoft é americana) e o aplicativo das 75 mil urnas compradas este ano feito pela Procomp, empresa que pertence a americana Diebold, esta fundada em 1859 em Cincinnati, Ohio. Talvez haja uma cidade brasileira chamada Cincinnati e um Estado de Ohio, que eu desconheça.

A Diebold (na verdade, sua subsidiária Diebold Election Systems, Inc) é a mesma empresa que hoje, dia 11 de outubro, publicou um press release garantindo que não terá perdas financeiras, devido ao decreto do governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, que proibiu o uso de urnas eletrônicas que não tenham voto impresso, para evitar fraudes. As próximas eleições americanas, em 2006, terão que ter uma impressora de votos que serão vistos pelo eleitor e usados em uma possível recontagem.
Pior. De acordo com um estudo feito pelas Universidades americanas Johns Hopkins e Rice, em 2003, qualquer hacker esperto poderia quebrar os códigos do sistema da Diebold e provocar votos múltiplos. Os pesquisadores descobriram que é teoricamente possível inserir "back doors" dentro do software de forma que os hackers (ou pessoal interno) pudessem mudar as escolhas futuras de eleitores, provocando resultados que desejarem. Há mais informações neste comunicado a imprensa (http://www.jhu.edu/news_info/news/home03/jul03/rubin.html) distribuido pela Johns Hopkins University sobre as máquinas feitas pela Diebold.

Não é apenas isso. A Advocacia Geral da Califórnia, por meio do advogado Bill Lockyer, informou, dia 7 do mês passado, que o governo da California vai processar a fabricante de urnas eletrônicas Diebold Inc. por ter "fraudado o Estado da Califórnia, ao fazer falsas afirmativas sobre seus produtos"

Os investigadores do governo da Califórnia, pediram uma investigação criminal contra a Diebold. O Vice Presidente da empresa, Thomas Swidarski, disse que tudo isso é bom, porque provará que a Diebold é confiável.

Esta é a mesma empresa responsável pelas 75 mil urnas brasileiras. Aquelas 100% brasileiras. Digo, 100% montadas no Brasil.

A Procomp vai dizer que as máquinas no Brasil são diferentes. E são. Quer dizer que são melhores do que as americanas? Mais confiáveis? Você responde, leitor. Elas são montadas no Brasil, segundo especificações do TSE, claro. Muitos materiais são comprados no Brasil. Mas o software é feito sobre o Windows. E o aplicativo? O programa que roda nas máquinas? o cérebro? ele é feito por uma empresa pertencente a outra, americana. Pouco importa que esteja dentro do Brasil, já que os reais proprietários estão fora. A placa mãe usa um chip da National/AMD de 200 MHz, memória RAM de 64 Mbytes e duas memórias flash com capacidade de 32 Mbytes. De onde? Do rio Araguáia?

Mas o mais inaceitável é que os votos não podem ser conferidos. Enquanto isso, a propaganda das urnas continua firme e forte, garantindo que são o supra sumo da democracia.

Repita uma mentira milhares de vezes e... você já sabe como isso termina.

Aldo Novak
Editor - Este texto está em www.relatorioalfa.com.br

Os Falcões de Bush II - Continuação

A ordem mundial instaurada em 1945 sucumbiu depois de meio século de Guerra Fria, queda do muro de Berlim (1989), derrocada da União Soviética (1991), Guerra do Golfo Pérsico (1991/1992), e, já no século XXI, o ataque às torres gêmeas de Nova York e Pentágono (11/setembro/2001) e o ataque de Bush ao Iraque à revelia das Nações Unidas. O ministro da Defesa fez então aos militares as seguintes indagações: "que tipo de relação devemos buscar com a potência principal? Que linhas seguir para fortalecer a nossa indústria de produção de bens e equipamentos militares? Que tipo de liberdade se pode dar às organizações não-governamentais (0NGs), nacionais e estrangeiras? Como valorizar os instrumentos como a Escola Superior de Guerra (ESG) para que possamos ouvir a opinião pública e tomar as medidas de interesse nacional?"

Em 1983, durante seminário promovido pelo governo dos Estados Unidos (gestão Ronald Reagan), no Consulado Geral de São Paulo, participei de um debate com o embaixador dos EUA na URSS, Jack Matlock Jr., quando ele disse claramente: Para os EUA existem dois tipos de guerra. A guerra boa e a guerra ruim . A boa é aquela que a América faz para defender o mundo livre. A ruim é a que o comunismo internacional faz para expandir seu poderio . Leia-se terrorismo internacional e teremos o quadro desenhado para garantir o supremacismo que os falcões de Bush filho aplicam no Iraque para dominar o petróleo do Oriente Médio.

Nunca é demais repetir o que o diplomata Roy Nash (que serviu na embaixada norte-americana no Rio de Janeiro, no final dos anos 40) disse em seu livro A Conquista do Brasil (Edições Brasiliana): Quando faltar madeira e água nos Estados Unidos, não duvidem: a Casa Branca vai mandar buscar na Amazônia .

Não foi só por dizer que Sigmund Freud fez um retrato do ianquismo: "A América é um erro. Um erro gigantesco". Se por petróleo se arma uma guerra ilegal, desumana e destrutiva, avaliem o que o império será capaz de fazer para se apropriar de água potável em qualquer ponto da Terra. Ou um copo do precioso líquido para quem tem sede vale menos do que um barril (159 litros) de petróleo?

Quem vetou a redução da taxa de poluição das águas e atmosfera e destruição das florestas, na Cúpula da Terra (Eco 92, Rio) e na Conferência de Kyoto (Japão), não terá nenhum drama de consciência em enviar uma força-tarefa de 300 mil homens, 5 mil tanques de guerra e 2 mil aviões para ocupar sítios aqüíferos. Onde eles estiverem. Justamente como o bom ianque Roy Nash disse em seu livro há mais de meio século.

(Dídimo Paiva - Jornalista)

 

Agradecimentos a Márcio Metzker, Sandra Guimarães (Prodemge), Cláudia Regina (Oi Savassi).

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