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@ Márcio Metzker
O PT foi o grande vencedor destas eleições
em Minas, aumentando de 34 para 87 o seu número de prefeituras,
e conquistando as duas maiores cidades do Estado: Belo Horizonte
e Contagem. Apesar de ganhar menos prefeituras que o PSDB (159),
o PMDB (142) e o PFL (122), o PT passa a ocupar o primeiro
lugar entre os partidos, pela soma das populações
que vivem nas cidades que vai governar.
No entanto, é preciso assinalar que
o partido foi derrotado nas três maiores cidades que
administra atualmente, ressalvando-se a capital: Governador
Valadares, Ipatinga e Poços de Caldas. Por 631 votos,
João Fassarella perdeu Governador Valadares para Bonifácio
Mourão, do PSDB, apesar da excelente administração
que vinha fazendo, voltada para a solução dos
problemas da periferia e do meio ambiente. Por 641 votos, Sebastião
Navarro (PFL) tirou de Paulo Tadeu a prefeitura de Poços
de Caldas.
O pior desempenho, no entanto, aconteceu em
Ipatinga, onde o candidato do PT, João Magno, naufragou
diante da candidatura do folclórico Sebastião
Quintão, do PMDB, por uma diferença de quase
10 mil votos. O PT tinha nessa cidade uma seqüência
de administrações bem-sucedidas, sob a liderança
do prefeito Chico Ferramenta, o primeiro metalúrgico
a dirigir a cidade onde fica a Usiminas. No entanto, sua imagem
estava desgastada na cidade, e Chico protagonizou um escândalo
conjugal no dia da posse de sua mulher, Cecília, na
Assembléia Legislativa, ao desaparecer por duas noites
em companhia de prostitutas.
As turbulências da vida pessoal podem
ser fatais para as carreiras políticas, mesmo que não
interfiram na honestidade com que os políticos realizam
suas tarefas. O eleitor é mais rigoroso com os petistas.
Assim como João Magno colheu os frutos amargos da condenação à atitude
de Ferramenta, Raul Pont está sofrendo com as restrições
eleitorais a Olívio Dutra no Rio Grande do Sul, e de
roldão o PT perdeu as duas maiores cidades do interior
gaúcho: Pelotas e Caxias do Sul.
Marta Suplicy, derrotada em São Paulo
por José Serra, cavou sua própria condenação
ao se separar do estimadíssimo senador Eduardo Suplicy
e casar-se como uma adolescente apaixonada com o galã argentino
Luis Favre. A derrota de Marta mostrou que o perfil mais valorizado
nos políticos hoje em dia é o discreto, que só aparece
quando tem motivos administrativos para fazê-lo, e não
freqüenta colunas sociais e revistas de fofoca. É o
perfil do governador Geraldo Alckmin. Não é o
de Aécio Neves.
Os resultados das eleições,
principalmente no segundo turno, contêm revelações
codificadas que os petistas precisam aprender a decifrar para
não perderem a sintonia com as esperanças populares.
Ao eleger o PT em capitais onde imperava o banditismo político
nas legendas oportunistas, como Porto Velho, Palmas e Vitória,
os cidadãos sinalizaram sua confiança em um partido
no qual identificam compromisso com a maioria da população
e honestidade no trato com o bem público.
Por outro lado, ao defenestrar o PT das prefeituras
de São Paulo, Porto Alegre e Ipatinga, o eleitor está julgando
objetivamente as administrações, condenando não
propriamente a honestidade dos governantes, mas a politização
da máquina, o empreguismo aos militantes, a retórica
vazia, as rixas e rachas internas, a ganância tributária
e um certo amadorismo ao enfrentar emergências. O PSDB
passou em São Paulo a imagem de partido enxuto, profissional
e inovador em suas propostas.
Na experiência democrática que
ainda é recente no Brasil, os grandes partidos vêm
como ondas que se desmancham na praia. Primeiro veio o PMDB,
com a autoridade da redemocratização comandada
por Ulysses Guimarães. Depois vieram o PFL, como uma
organização dos setores produtivos, e o PSDB,
como uma dissidência orgânica do PMDB depois que
o partido virou um balaio fisiológico de gatos. Agora é a
vez da onda petista.
As ondas políticas se espalham em círculos
concêntricos a partir dos centros mais civilizados. O
PFL já governou muitas capitais simultaneamente. Hoje é um
partido interiorano. Acaba de perder a eleição
em Salvador, feudo eleitoral do senador Antônio Carlos
Magalhães, embora tenha feito oito em cada dez prefeitos
baianos. Na próxima eleição, o efeito
da derrota na capital deve se expandir para os municípios
mais prósperos, e o PFL vai ficar só com os lugarejos
miseráveis.
Esse desgaste já começa a acontecer
com o PT, que aumentou seu número de capitais de oito
para nove, mas perdeu São Paulo e Porto Alegre. Em Minas,
ganhou em Belo Horizonte e numa chusma de cidadezinhas, mas
perdeu três centros importantes. Para não se afogar
na onda que vitimou as outras siglas majoritárias, o
PT precisa se agarrar a uma bóia: retornar o controle
do partido aos idealistas que o criaram, banir seus corruptos
e tirar o poder dos burocratas intermediários que acreditam
que o partido é um fim em si mesmo, e não um
instrumento para a construção de uma justiça
social duradoura.
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