Número 11 - Belo Horizonte 19/Novembro/2004
 




Texto de GH


Celulite
É como celular.
Todas têm.

Sutra
Vatsyayana fez a fama.
Eu leio na cama.

Gossip
Gente fina não faz fofoca,
compra na banca de revistas.

O católico
Só faz amor
escondido de Deus.

 


Metrópoles
Selvas de pedra
ou zoológicos humanos?

Em voga
Uniforme para otários
e black-tie para malandros-otários.

Mineiro
Na praia e desconfiando
da própria sombra.

Políticos
De carreira, não.
De gafarrafa.

 


Foto:Carlos Caju/Jeanette Johansen da Silva

"Os primeiros homens viviam felizes, eram justos e santos, não conheciam incômodos nem sofrimentos. Os frutos da Árvore da vida preservava-os também da morte; andavam despidas e não se envergonhavam".

Um Mergulho na Dualidade

Intuímos que nossos, ancestrais Adão e Eva, segundo os textos da Bíblia, são tentados, pela serpente, a comer o fruto da árvore do CONHECIMENTO, eles entram em pecado, mergulham no mundo da dualidade ou, em outras palavras, na gandaia do véu de maya. Cometem o pecado, original, na época, de pensar, de desenvolver um ego (separando -se da natureza) e, sem dúvida,de abusar do erotismo ... atitudes ditadas pelo instinto somático, como veremos.

A punição não tardou a vir, com o sentimento de culpa e vergonha , ditado por deus (que fala conosco através do inconsciente) que podemos identificar como o instinto genético.

Atualmente ciência está se aproximando das religiões. Além do estudo da matéria, os cientistas estão percebendo a relevância de compreender a complexidade do observador da natureza: o ser humano.

Carl Jung, psicoterapeuta, admitiu a importância da espiritualidade para o equilíbrio do indivíduo e das sociedades humanas.

A sociobiologia - um ramo da biologia, descobriu que o comportamento dos seres pluricelulares é determinado pelos interesses de sobrevivência de seus genes.

Baseado nessa ciência e nos estudos das religiões pesquisadores estão descobrindo aquilo que as pessoas comuns já sabem por intuição ou por crença: toda a religiosidade, sentimentos altruístas, a solidariedade e a compaixão humanas, enfim, o Bem, é ditado pelo instinto genético: " o plasma vital, os genes que nos criaram, são potencialmente eternos, pois existiam antes de nós e continuarão além de nós." Os rituais, religiosos, os hinos, as orações, comuns em todas as culturas, tem origem e inspiração do instinto genético, que é a voz inconsciente". Poderemos chamá-la de Deus? "No âmago de nossa mente temos a programação genética que nos torna escravos da sobrevivência da espécie."

"O Corpo Humano existe para realizar desejos eternos (...) O corpo humano é um barco que recebemos para atravessar o rio da vida". ( Sathya Sai Baba -guru indiano )."

O instinto somático trabalha para a sobrevivência do corpo, luta contra as intempéries, contra as pragas e doenças, e para ter uma fonte de sustento. Ele mata, impiedosamente, para viver. Socialmente é ele que nos faz egoístas e nos comanda para que sigamos interesses corporais mais imediatos, como a busca incessante, do prazer, o materialismo, (que nos identifica com o Mal), e a busca compulsiva do sucesso. Atitudes muitas vezes conflitantes com o interesse a longo prazo dos genes, em sua escalada para a eternidade.

Psicologicamente, saúde mental e a paz espiritual, seria a harmonia entre as duas forças infra conscientes: instinto genético, comandando o inconsciente e o instinto somático, o sub consciente.

"na próxima edição- Einstein e Jung dançam com o diabo, à luz da lua"

 
Brigitte Bacha - A melhor tradução da alegria, da beleza e das festas do Líbano.
 
Mágico é o momento em que a dança fala por si. E a música do universo conduz o ser para além da dualidade. É pura meditação...células e espírito em êxtase.

@ Márcio Metzker

O PT foi o grande vencedor destas eleições em Minas, aumentando de 34 para 87 o seu número de prefeituras, e conquistando as duas maiores cidades do Estado: Belo Horizonte e Contagem. Apesar de ganhar menos prefeituras que o PSDB (159), o PMDB (142) e o PFL (122), o PT passa a ocupar o primeiro lugar entre os partidos, pela soma das populações que vivem nas cidades que vai governar.

No entanto, é preciso assinalar que o partido foi derrotado nas três maiores cidades que administra atualmente, ressalvando-se a capital: Governador Valadares, Ipatinga e Poços de Caldas. Por 631 votos, João Fassarella perdeu Governador Valadares para Bonifácio Mourão, do PSDB, apesar da excelente administração que vinha fazendo, voltada para a solução dos problemas da periferia e do meio ambiente. Por 641 votos, Sebastião Navarro (PFL) tirou de Paulo Tadeu a prefeitura de Poços de Caldas.

O pior desempenho, no entanto, aconteceu em Ipatinga, onde o candidato do PT, João Magno, naufragou diante da candidatura do folclórico Sebastião Quintão, do PMDB, por uma diferença de quase 10 mil votos. O PT tinha nessa cidade uma seqüência de administrações bem-sucedidas, sob a liderança do prefeito Chico Ferramenta, o primeiro metalúrgico a dirigir a cidade onde fica a Usiminas. No entanto, sua imagem estava desgastada na cidade, e Chico protagonizou um escândalo conjugal no dia da posse de sua mulher, Cecília, na Assembléia Legislativa, ao desaparecer por duas noites em companhia de prostitutas.

As turbulências da vida pessoal podem ser fatais para as carreiras políticas, mesmo que não interfiram na honestidade com que os políticos realizam suas tarefas. O eleitor é mais rigoroso com os petistas. Assim como João Magno colheu os frutos amargos da condenação à atitude de Ferramenta, Raul Pont está sofrendo com as restrições eleitorais a Olívio Dutra no Rio Grande do Sul, e de roldão o PT perdeu as duas maiores cidades do interior gaúcho: Pelotas e Caxias do Sul.

Marta Suplicy, derrotada em São Paulo por José Serra, cavou sua própria condenação ao se separar do estimadíssimo senador Eduardo Suplicy e casar-se como uma adolescente apaixonada com o galã argentino Luis Favre. A derrota de Marta mostrou que o perfil mais valorizado nos políticos hoje em dia é o discreto, que só aparece quando tem motivos administrativos para fazê-lo, e não freqüenta colunas sociais e revistas de fofoca. É o perfil do governador Geraldo Alckmin. Não é o de Aécio Neves.

Os resultados das eleições, principalmente no segundo turno, contêm revelações codificadas que os petistas precisam aprender a decifrar para não perderem a sintonia com as esperanças populares. Ao eleger o PT em capitais onde imperava o banditismo político nas legendas oportunistas, como Porto Velho, Palmas e Vitória, os cidadãos sinalizaram sua confiança em um partido no qual identificam compromisso com a maioria da população e honestidade no trato com o bem público.

Por outro lado, ao defenestrar o PT das prefeituras de São Paulo, Porto Alegre e Ipatinga, o eleitor está julgando objetivamente as administrações, condenando não propriamente a honestidade dos governantes, mas a politização da máquina, o empreguismo aos militantes, a retórica vazia, as rixas e rachas internas, a ganância tributária e um certo amadorismo ao enfrentar emergências. O PSDB passou em São Paulo a imagem de partido enxuto, profissional e inovador em suas propostas.

Na experiência democrática que ainda é recente no Brasil, os grandes partidos vêm como ondas que se desmancham na praia. Primeiro veio o PMDB, com a autoridade da redemocratização comandada por Ulysses Guimarães. Depois vieram o PFL, como uma organização dos setores produtivos, e o PSDB, como uma dissidência orgânica do PMDB depois que o partido virou um balaio fisiológico de gatos. Agora é a vez da onda petista.

As ondas políticas se espalham em círculos concêntricos a partir dos centros mais civilizados. O PFL já governou muitas capitais simultaneamente. Hoje é um partido interiorano. Acaba de perder a eleição em Salvador, feudo eleitoral do senador Antônio Carlos Magalhães, embora tenha feito oito em cada dez prefeitos baianos. Na próxima eleição, o efeito da derrota na capital deve se expandir para os municípios mais prósperos, e o PFL vai ficar só com os lugarejos miseráveis.

Esse desgaste já começa a acontecer com o PT, que aumentou seu número de capitais de oito para nove, mas perdeu São Paulo e Porto Alegre. Em Minas, ganhou em Belo Horizonte e numa chusma de cidadezinhas, mas perdeu três centros importantes. Para não se afogar na onda que vitimou as outras siglas majoritárias, o PT precisa se agarrar a uma bóia: retornar o controle do partido aos idealistas que o criaram, banir seus corruptos e tirar o poder dos burocratas intermediários que acreditam que o partido é um fim em si mesmo, e não um instrumento para a construção de uma justiça social duradoura.


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