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A farsa do Mercosul
@ Márcio Metzker - 21/12/04
Parece um misto de filme de Pancho Villa, Zapata e Lampião
uma reunião
de parlamentares do Mercosul, como a que aconteceu na Assembléia
Legislativa na segunda semana de dezembro, paralelamente
ao encontro de
chefes de Estado em Ouro Preto. A começar pelas bravatas
proferidas em
espanhol por deputados argentinos e senadores paraguaios,
passando pelo
provincianismo dos parlamentares brasileiros e terminando
com a aprovação
de propostas secundárias ou periféricas, como
a escolha do cavalo
crioulo como animal-símbolo do Mercosul.
Ora, o Mercosul é, como o próprio
nome diz, uma tentativa de formar um
mercado comum entre os quatro países do Cone Sul e
buscar fortalecer os
interesses comerciais desse bloco, diante das pressões
de dominação
norte-americana contidas na proposta da Alca e das restrições
e subsídios
impostos pela União Européia.
Embora repitam o secular discurso visionário de liberdade
e união dos
povos latino-americanos de Simon Bolívar, sonhado
também por Che
Guevara, os parlamentares presentes na reunião passaram
ao largo da busca de
um modelo de mercado comum e priorizaram seus próprios
interesses, ou
seja, a criação de um Parlamento do Mercosul
com as devidas mordomias.
Pelo visto, com sede fixa em Punta del Leste, Mar del Plata
ou Búzios.
Jamais em Assunção, Cubatão ou Teresina.
É forçoso reconhecer que as
idiossincrasias nacionais e o preconceito
contra os vizinhos sul-americanos estão presentes
em todos nós. Não
conseguimos levar a sério que um parlamentar paraguaio
peça fundos para
desenvolver um provedor de computador que sirva para comunicações
mais
rápidas no universo do Mercosul, se para nós
a imagem dos paraguaios está ligada à falsificação de produtos eletrônicos
e ao contrabando.
Tampouco cremos na sinceridade de um argentino
quando discursa em nome
da fraternidade comercial e do respeito mútuo entre
os povos do Cone
Sul, fingindo ignorar que seu país está com
a economia destroçada por
culpa dos desatinos de seus próprios políticos
e que negocia
bilateralmente às claras com a União Européia,
ignorando os interesses comerciais
dos parceiros do bloco. A Argentina parece querer que todos
choremos por
ela, como Evita Perón, salvando-a de suas desgraças
e perdoando suas
traições.
Engana-se quem acha que brasileiros e argentinos
se odeiam. Nossas
divergências vão pouco além do futebol
e das rixas de fronteira contadas
pelos gaúchos. Ódio mesmo existe entre eles
e os uruguaios. Durante a
reunião, uma deputada argentina comentou que o sotaque
dos brasileiros
tentando falar espanhol era melhor que o dos uruguaios. Isso
foi o
bastante para que a bancada uruguaia passasse a vetar todas
as propostas
seguintes da Argentina.
Culpa da subserviência tupiniquim
que nossos deputados tentem ser
gentis mostrando boa-vontade de falar espanhol. Nenhum dos
gringos tenta
falar português, a não ser nos cumprimentos
informais. Reza uma regra da
diplomacia que, formalmente, cada representante nacional
fala sua
própria língua, para evitar equívocos.
E o espanhol não é assim tão parecido
com o português. Orçamento, para eles, é presupuesto,
e esgotoé alcantarillado.
O atroz portunhol é mais um tropeço
nos entendimentos supranacionais
para a formação do Mercosul. A União
Européia, que fala uma dezena de
línguas e mantinha uma dúzia de moedas, teve
menos problemas. O processo
de unificação europeu, iniciado há 50
anos, baseou-se em dois aspectos
subseqüentes: o da expertise, em que os especialistas
analisam todos os
aspectos favoráveis e desfavoráveis e os expõem
para as lideranças até formar uma consciência
supranacional, e o do direito, em que as normas
são aplicadas para valer depois que as decisões
são tomadas. No
Mercosul, metade das normas sequer foram internalizadas pelos
representantes
políticos e qualquer um se sente no direito de atropelá-las.
O processo de integração idealizado
para o Mercosul só terá chance de
deslanchar quando uma nova geração de políticos
com visão internacional
for eleita para substituir os provincianos/nacionalistas
de agora. Eles
vão precisar de muito treinamento para evitar as chacotas
transfronteiriças de hoje e mostrar seriedade e compromisso
com as causas comuns a
todos os países.
Pelo menos para uma coisa serviu a reunião
dos presidentes
latino-americanos: os 108 quilômetros da estrada que
liga Ouro Preto a Belo
Horizonte foram recapeados, pintados e sinalizados em apenas
10 dias, uma
proeza para o inoperante DNIT e uma maquilagem para que os
presidentes
estrangeiros não comprovassem que a rodovia era a
própria alegoria do
Mercosul: abandonada, esburacada e desanimadora como qualquer
sonho
terceiromundista.
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UM BRASIL QUE NÃO CONHECEMOS !!!
Segue abaixo o relato de uma pessoa conhecida e
séria,
que passou recentemente em um concurso público federal
e foi trabalhar em Roraima. Trata-se de um Brasil que
a gente não conhece.
As duas semanas em Manaus foram interessantes para
conhecer um Brasil um pouco diferente, mas chegando em Boa Vista (RR) não
pude resistir a fazer um relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui.
Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até pessoas
com um mínimo de instrução. Para começar o mais
difícil de encontrar por aqui é roraimense, para falar a verdade,
acho que a proporção é de um roraimense para cada 10 pessoas é bem
razoável, tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense, piauiense,
maranhense e por aí vai. Portanto falta uma
identidade com a terra.

Aqui não existem muitos meios de sobrevivência,
ou a pessoa é funcionária pública, e
aqui quase todo mundo é, pois em Boa Vista se concentram
todos os órgãos federais e estaduais de Roraima,
além da prefeitura é claro. Se não for
funcionário público a pessoa trabalha no comércio
local ou recebe ajuda de Programas do governo. Não
existe indústria de qualquer tipo.
Pouco mais de 70% do Território roraimenseé demarcado como reserva
indígena, portanto restam apenas 30%, descontando-se os rios e as terras
improdutivas que são muitas, para se cultivar a terra ou para
a localização das próprias cidades.
Na única rodovia que existe em direção
ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus, cerca de 800 km) existe
um trecho de aproximadamente 200 km reserva indígena
Waimiri Atroari) por onde você só passa entre
6:00 da manhã e 6:00 da tarde, nas outras 12 horas
a rodovia é fechada pelos índios (com autorização da
FUNAI e dos americanos) para que os mesmos não
sejam incomodados. Detalhe: você não passa se
for brasileiro, o acessoé livre aos americanos, europeus
e japoneses. Desses 70% de território indígena,
diria que em 90% dele ninguém entra sem uma grande
burocracia e autorização da FUNAI.Detalhe:
Americanos entram na hora que quiserem, se você não
tem uma autorização da FUNAI mas tem dos americanos
então você pode entrar. A maioria dos índios
fala a língua nativa além do inglês ou
francês, mas a maioria não sabe falar português.
Dizem que é comum na entrada de algumas reservas
encontrarem-se hasteadas bandeiras americanas ou inglesas.É comum
se encontrar por aqui americano tipo nerds com cara de quem
não quer nada, que veio caçar borboleta e joaninha
e catalogá-las, mas no final das contas pasme,
se você quiser montar uma empresa para exportar plantas
e frutas típicas como cupuaçu, açaí camu-camu etc., medicinais, ou componentes naturais para fabricação
de remédios, pode se preparar para pagar "royalties" para
empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria
dos produtos típicos da Amazônia...
Por três vezes repeti a seguinte frase após
ouvir tais relatos:
É os americanos vão acabar tomando a Amazônia e em todas
elas ouvi a mesma resposta em palavras diferentes. Vou reproduzir a resposta
de uma senhora simples que vendia suco e água na rodovia próximo
de Mucajaí: "Irão não minha filha, tu não sabe,
mas tudo aqui já é deles, eles comandam tudo, você não
entra em lugar nenhum porque eles não deixam. Quando acabar essa guerra
aí eles virão pra cá, e vão fazer o que fizeram no
Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde iraquiano não
entra, aqui vai ser a mesma coisa". A dona é bem informada não?
O pior é que segundo a ONU o conceito de nação é um
conceito de soberania e as áreas demarcadas têm o nome de nação
indígena. O que pode levar os americanos a alegarem que estarão
libertando os povos indígenas. Fiquei sabendo que os americanos já estão
construindo uma grande base militar na Colômbia, bem próximo da
fronteira com o Brasil numa parceria com o governo colombiano com o pseudo
bjetivos de combater o narcotráfico. Por falar em narcotráfico,
aqui é rota de distribuição, pois essa mãe chamada
Brasil mantém suas fronteiras abertas e aqui tem Estrada para as Guianas
e Venezuela. Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada, principalmente
se for americano, europeu ou japonês, (isso pode causar um incidente
diplomático)... Dizem que tem muito colombiano traficante virando venezuelano,
pois na Venezuela é muitofácil comprar a cidadania venezuelana
por cerca de 200 dólares.
Pergunto inocentemente às pessoas; porque os americanos
querem tanto proteger os índios. A resposta é absolutamente
a mesma: porque as terras indígenas além das
riquezas animais e vegetais, da abundância de água
são extremamente ricas em ouro (encontram-se pepitas
que chegam a ser pesadas em quilos), diamante, outras pedras
preciosas, minério e nas reservas norte de Roraima
e Amazonas, ricas em PETRÓLEO. Parece que as pessoas
contam essas coisas como que num grito de Socorro a alguém
que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente
ou a alguma autoridade do sul que vá fazer alguma
coisa.
É pessoal, saio daqui com a quase certeza de
que em breve o Brasil irá diminuir de tamanho.
Um grande
abraço a todos. Será que podemos
fazer alguma coisa? Acho que sim.
Mara Silvia Alexandre Costa
Depto de Biologia Cel. Mol. Bioag. Patog.
FMRP - USP
Em debate : o pedestre acuado.
"o automóvel é propriedade particular
que circula em espaço público"
(Ricardo Moretzsohn)
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O Dr.
Ricardo Moretzsohn é presidente
do Conselho Federal de Psicologia e coodenador do 6
Congresso Brasileiro
de Psicologia no Trânsito (Conpsitran),
cujo objetivo é colocar o ser humano
como foco principal da política nacional
de trânsito e discutir a conturbada
relação entre espaço público e privado.
Esses foram
os principais objetivos do evento, que ocorreu de 10 a 13 de novembro em
parceria com
a Universidade Católica do Mato
Grosso, em Campo grande.
De lá sairá a Carta de Campo Grande,
para os Detrans, Denatrans, Contrans e
secretarias municipais de trânsito
do país. Vale lembrar que os dados
da Organização Mundial de Saúde registram 40 mil
mortes, no Brasil, das
quais 3000 são crianças na idade
escolar .
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