Número 18 - Belo Horizonte 04/maio/2005

 


Merda só para gente fina

 

Explico: O termo merda é usado por atores de teatro para se desejarem boa sorte e sucesso, no momento da entrada em cena."Merda, dizem uns. A resposta é, geralmente: "Merda pra você!”

Nesse sentido, a origem é o francês merd. De acordo com uma versão que circula no meio teatral, a interjeição começou a ser usada na França antes de uma encenação de uma peça de Moliére. O espetáculo estava para começar e, pouco antes de entrar em cena, os atores estavam em
pânico nos bastidores, achando que a peça estava mal ensaiada, que seria um desastre e diziam: "vai ser uma merda. Uma grande merda!."

O espetáculo estreou e foi um sucesso extraordinário, com a platéia aplaudindo de pé, no final. Essa teria sido a origem.

Os atores tentando repetir o resultado, passaram sempre a dizer "merda". O mais provável é que essa forma de desejar sucesso, seja para fazer graça, aliviando a tensão, exorcizando o medo, sensações naturais nos momentos que antecedem o início da atuação. Essa conclusão se casa com as expressões usadas entre os bailarinos: "Quebre a perna", "quebre o braço. Ou "caia do salto".

A "merda" é que merda não adianta muito para estimular aos políticos. Só funciona positivamente, para artistas, a quem a sociedade permite o ato de representar, fazer de conta.

Essas atitudes nos homens públicos, nos parlamentares, por mais que eles insistam, soam falso, ridículo e só despertam o escárnio das pessoas.

(Adaptação de GH para um texto do livro "A origem curiosa das palavras",
de Márcio Bueno. Editora José Olímpio)

 

 

" Um açude improdutivo, vamos invadir pra nadar! "

(Das crianças do MST)

O Amor é um estranho
passarinho,
que canta sem pena
e nasce sem ninho.
(Márcio Metzker).

Minha praia?
Tendinhas. Botequins e
lugares afins.
(Zeca Pagodinho)

Então tá combinado:
A policía tenta vigiar os bandidos,
a sociedade vigia a polícia,
e todos vigiam os políticos
(GH)

Acupuntura e terapias naturais
Marco Aurélio cozzi


Livros

  • "Manifesto dos Mineiros em prol da da Saúde Ameaçada".Nas principais bancas e farmácias homeopáticas.
  • Outros lançamentos:"Ação Sobre o Mundo Acadêmico", 170pgs.;
  • "SOS terapias Ecológicas"260 pgs.;
  • Tratado Macozzi de Supraciências": As ciências modernas na berlinda, diante das seculares metaciências alquimico vitalistas,alopatizadas.
Contatos com Marco Aurélio Cozzi:
Fone (31) 32618357 e 3581 1487.

 



Terapias chinesas

Angelita Azevedo está aplicando massagens e sessões de acupuntura, conjugadas com os preceitos da Tradicional Medicina Chinesa. Atendimento preventivo ou de urgência, em ambulatório (na região da Pampulha ) ou em domicílio. Informações pelos fones: (31) 8836 9218 e 3495 3298. E-mail; angelita.ines@bol .com.br

 

O Profeta

Khallil Gilbran

Foto: Francesco Callone

 

E uma mulher chamada Almitra saiu do santuário. E ela era vidente.

E ele a encarou com infinita ternura, pois fora ela a primeira a procurá
-lo e nele crer no dia de sua chegada à cidade.

E ela o saudou dizendo:
" Profeta de Deus em procura do infinito, quantas vezes sondastes as distâncias à espera de teu navio.

E agora teu navio chegou e tu deves partir. Profunda é tua nostalgia pela pátria de tuas recordações e a morada de teus maiores desejos; e nosso amor não te quererá prender, nem nossas necessidades te reterão.

Uma coisa, porém pedimos-te; antes de nos deixardes, fala-nos e dá-nos
algo de tua verdade. E nós a transmitiremos a nossos filhos, e eles a transmitirão aos seus filhos, e ela não perecerá. Na tua soledade, vigiaste por nosso dias e, na tua vigília, escutastes os gemidos e os risos de nossos sono,

Agora revela-nos a nós próprios, e conta-nos o que te foi revelado, do
que existe entre o nascimento e a morte."

E o profeta respondeu:
" Povo de Orphalese, de que poderia falar-vos senão do que está agora
se movendo dentro de vossas almas?"

(Tradução e apresentação de Mansour Challita - BUP, 1963)

 

ARTES MARCIAIS
@Márcio Metzker

A coluna que já chega dando uma "voadora".
Efeito Severino: nepotismo no Miss Brasil 2005

Depois de cobrir o Miss Minas, não pude deixar de me interessar pelo Miss Brasil, marcado para três semanas depois. Pelo terceiro ano consecutivo, haveria transmissão pela TV Bandeirantes, e a organização prometia um evento exemplar. No entanto, a depuração do concurso, prometida pela agência Gaeta, tirando suas breguices e atualizando seus conceitos, foi um tiro que saiu pela culatra nesta edição de 2005.

De tanto ser organizado pelos estilistas do São Paulo Fashion Week, o evento se transformou literalmente em desfile de moda, no mundinho fechado da fauna fashion. No espaço restrito do Copacabana Palace, sentavam-se pouco mais de duzentas madames de longo e cavalheiros de smoking, que reagiam com aplausos comedidos às candidatas em desfile. Faltou torcida, entusiasmo, frenesi, como vimos no ginásio divinopolitano onde ocorreu o concurso mineiro. A elitização é um mal tão grave para a saúde do concurso quanto a escassez de mídia.

Não cheguei a contar exatamente, mas no júri havia umas 15 mulheres e apenas cinco homens, dos quais apenas três pareciam heterossexuais. Este é outro erro grave. Quem escolhe mulher tem que ser majoritariamente homem, e homem com níveis normais de testosterona, capaz de privilegiar mulheres sedutoras, femininas, saudáveis, de alta classe, com quem se casariam se pudessem. Faltou jogador de futebol, cantor de pagode, tenista, campeão de boxe e outras categorias com fama de virilidade.

Entre as 15 juradas, contei pelo menos quatro misses: a diva Martha Rocha (Miss Brasil 1954), a vedete Adalgisa Colombo (Miss Brasil 1958), a Miss Universo Marta Vasconcellos (1968) e a socialite Leila Schuster (Miss Brasil 1993). Creio que essas quatro sejam competentes para escolher misses, porque sabem por experiência própria do que se trata, muito embora possam ter razões para não escolher ninguém que possa ameaçar o brilho delas no futuro. Depois ouvi dizer que Ariane Colombo, que conquistou um imerecido 3º lugar, era sobrinha de Adalgisa Colombo. Era só o que faltava: nepotismo até em concurso de miss. Severino está fazendo escola.

Mas as produtoras de moda presentes, por sua vez, haveriam de escolher misses pelo mesmo critério que escolhem modelos: magérrimas, exóticas, pernaltas, emburradas. E a tal de Astrid, da TV Bandeirantes, já provou, nos dois últimos concursos de Miss Universo, que não consegue nem mesmo acertar três nomes numa lista de dez prováveis finalistas. Astrid deve ter ido para o júri como prêmio de consolação porque Nayla Micherif assumiu o papel de apresentadora. E deve ter rogado praga, porque deu branco na Micherif pelo menos três vezes.

O evento foi chocho, morno, até por falta de dinâmica e tarimba da ex-miss Brasil. Faltou-lhe texto. As misses entravam para seu desfile individual e Nayla não tinha sua idade, altura, peso e escolaridade. O conjunto Bossacucanova, que havia começado bem nos hits da bossa-nova, começou a atravessar do meio para o fim e foi duro de agüentar. Improviso é triste num evento de gala.

A transmissão também foi caótica, com excesso de cortes errados de mesa. O diretor quis dar uma edição de videoclip à passarela e acabou matando os desfiles. Ficamos sem saber se alguma das misses tinha nádegas bonitas - detalhe crucial para avaliação masculina da beleza -, porque sempre cortavam para o plano geral quando elas se viravam. Teve miss que desfilou o tempo todo sem que aparecesse o insert com seu nome e o Estado que representava.

Concurso de miss ou desfile de moda?

Fiquei estupefato quando as misses voltaram à passarela para fazer um desfile de moda de inverno da griffe Colcci, todas com aquelas maquilagens sombrias e a cara amarrada como se tivessem acabado de apanhar do pai. Na verdade, devem ter feito essa cara ao saber que o contrato as obrigava a desfilar para a griffe sem cachê.

Depois do desfile de biquíni, em que honestamente não deu pra avaliar os corpos das candidatas, anunciou-se que as misses iriam entrar em traje de gala, e o que vimos foram túnicas soltas sobre os corpos das moças, como a que as vestais deviam vestir nos templos da Grécia Antiga. Provavelmente o estilista que concebeu aqueles trajes viajou na maionese da Olimpíada de Atenas ou pelo menos no molho à bolonhesa da Mitologia Romana. Minha amiga Marina Rêgo mandou mensagem de Brasília criticando os trajes como "roupões de olimpo goiano". Tatiane Alves disse que pareciam camisolões. Talvez tenha sido por sono e não por labirintite que a Miss Piauí desabou na passarela.

Vestidas com esses trapos, as dez finalistas foram apartadas do resto do rebanho. Daniele Abrantes, a brejeira baiana, foi eleita pelas colegas como Miss Simpatia. A sorocabana de São Paulo, que minutos antes tinha desmaiado no camarim por queda de pressão, foi escolhida pela internet e pelos telefonemas. As nove escolhidas pelos jurados foram Rio de Janeiro, Tocantins, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina e Amazonas.

O ponto mais baixo do concurso, como sempre, foi aquele momento em que as finalistas tiveram que abrir a boca para discorrer sobre o Papa João Paulo II. Aí elas quebram o encanto com que nos haviam envolvido. A pobre Miss Sâo Paulo foi a primeira. Deu branco, entupigaitou e gaguejou miseravelmente, esquecendo o texto. E olhem que a moça é fonoaudióloga. A risonha e simpática baiana disse que o papa era um icône da sua geração. Na certa, quem passou o texto para ela esqueceu de acentuar. Outra disse que o Pontífice deveria ser escolhido como "homem do ano". A miss Espírito Santo detonou com as idéias retrógradas de Woytila sobre camisinha, aborto e homossexualidade. Muitas outras misses se revelaram "pastéis de vento", mas Tatiane Alves se saiu bem, como a paranaense Patrícia Reginato. Mostraram voz agradável, recheio e graça para dizer seus textos.

Para mim, o rosto plácido e o sorriso charmoso de Tatiane Alves não tinham rivais à altura naquela turma. Se quisessem buscar alguém mais bonita que ela, teriam que procurar no Miss Universo. Com muito cuidado para não parecer bairrista, eu a coloquei em minha lista pessoal de favoritas, junto à baiana e à catarinense. Mas os jurados deram à mineira o 5º lugar. Quando ela se adiantou, dava para perceber que seu sorriso ficou congelado de espanto pela classificação. Tatiane retirou-se do palco e não voltou para a celebração do resultado e as paparicações costumeiras. Foi pena. Devia perfilar-se com as outras quatro para que o público pudesse comparar e comprovar a injustiça.

Em 4º, ficou Tocantins. Em 3º, ficou Ariane Colombo, do Espírito Santo. Em 2º, Patrícia Reginato, do Paraná, e a nova Miss Brasil é a loura Karina Beduschi, de Santa Catarina. A vencedora ganha um Renault 206 cheio de chocolates da Kopenhagen e jóias de um certo Ricardo Vieira. Vai representar o Brasil no Miss Universo, dia 30 de maio, em Bangkok, Tailândia.

 

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