
Gérson de Holiveira |
| |
|
 |
Tudo aquilo que
você acha antigo
está de novo,
nas novelas,
nas passarelas.
Na boca do povo. |
|
|
| |
|

Punguistas da estrela x larápios
do tucanato
@ Márcio Metzker
Agora que a disputa pelo segundo turno se
radicalizou entre o molusco cefalópode e a cucurbitácea
insípida, é bom resgatar do fundo das
gavetas aquelas páginas de Política que deviam
estar nas de Polícia e comparar o desempenho das quadrilhas
instaladas no Governo Lula com as instaladas no Governo FHC,
estas assanhadas com a possibilidade de voltar ao poder com
Alckmin. O eleitor brasileiro, trabalhador e honrado, sente
paralisia no dedo quando está diante do dilema de
digitar na urna eletrônica o número de um governante
suspeito de roubo. Por isso é bom colocar os valores
para efeito de comparação.
Quando Lula tomou posse, o PT tinha 17% do Congresso. Para
que seus projetos pudessem ser aprovados, era preciso compor
uma base com aliados que não fossem tão sanguinariamente
tucanos ou liberais. De repente, tudo começou a funcionar às
mil maravilhas, mas ficamos com a pulga atrás da orelha
com a saída de honestos históricos, como Frei
Betto, César Benjamin e Ricardo Kotscho do Governo.
Suspeitaram que Zé Dirceu tinha adotado uma idéia
dos tucanos mineiros e criado o "mensalão",
gorjeta de 30 mil dinheiros mensais para os deputados fisiológicos
apoiarem o governo. Nada que se compare à propina
do "avistão" que FHC teria pago para os
deputados aprovarem a emenda da reeleição,
seu projeto pessoal de ser presidente por mais quatro anos.
Nem mensalão, nem avistão jamais foram provados.
Zé Dirceu caiu com grande estardalhaço, e foi
cassado por falta de decoro parlamentar sem que tivesse sido
parlamentar um dia sequer, e sem que ninguém pudesse
acusá-lo de ter roubado para si ou para o presidente.
Eduardo Jorge Caldas Pereira, o secretário geral da
Presidência da República, por sua vez, saiu
discretamente do Governo FHC enquanto a imprensa paulista
olhava pro outro lado e assobiava para despistar. Para acompanhar
o processo de enriquecimento ilícito dele e de sua
esposa, é preciso acessar o site do Ministério
Público Federal.
Cueca fedorenta
Depois aconteceu o vexame do Adalberto Vieira, amarra-cachorro
do José Genoíno, pego no aeroporto com US$
100 mil na cueca. Essa cueca fedeu terrivelmente na imprensa
burguesa. Quando Ricardo Sérgio de Oliveira, dos fundos
de pensão, cobrou R$ 15 milhões de propina
do consórcio que comprou a Vale do Rio Doce, a Veja
não calculou quantas cuecas seriam necessárias
para transportá-los. Calculamos agora que seriam necessárias
sessenta cuecas e duas calcinhas, pela cotação
do dólar de hoje.
Ninguém investigou direito o apagão, uma negligência
deliberada do Governo tucano para criar o caos no setor energético
e facilitar as privatizações das hidrelétricas
e entregar o domínio das águas dos reservatórios
a particulares. Ninguém noticiou com manchetes o fato
de Fernando Henrique Cardoso brindar com champagne em seu
gabinete o leilão das empresas de telecomunicações.
Ninguém quer saber quanto dinheiro o BNDES torrou
na farra da privataria para entregar o patrimônio público
brasileiro.
Todo mundo se lembra das partituras entoadas pelo tenor Roberto
Jefferson na ópera bufa do mensalão, "Os
Miseráveis", mas ninguém mais se lembra
mais do esquema de assalto à Sudam, operado por Jáder
Barbalho, que desviou R$ 360 milhões e pretendia chegar
a R$ 1,5 bilhão se a Polícia Federal não
tivesse acordado a tempo. Nem a fábrica da Zorba conseguiria
atender a uma encomenda de 6 mil cuecas para carregar essa
dinheirama toda. O eleitor se esquecer a tal ponto dessa
hemorragia no Erário que o reelegeu no Pará com
votação recorde.
Chico Lopes vendia informação privilegiada
do Banco Central aos sedentos especuladores financeiros.
O escroque banqueiro Salvatore Cacciola, num ato digno de
um mafioso, grampeou o esquema e forçou o Banco Central
a socorrê-lo em seus desatinos mal-calculados. O escândalo
foi abafado na imprensa.
Quadrilhas desde Dom João
VI
Outro dia um Arnaldo Jabor que eu admirava pelas construções
intelectuais perdeu um leitor e meu respeito por causa da
ingenuidade política com que escreveu que, no Governo
Lula, uma quadrilha havia se instalado no Poder. Ô Jabor,
a quadrilha está lá desde que Dom João
VI fugiu de Napoleão para o Brasil e trouxe 3 mil
puxa-sacos da Côrte, para os quais deu sesmarias, títulos
de nobreza e cartórios. Só mudam os personagens
e a competência. Os do governo Lula se diferenciam
dos anteriores pela incompetência, pela estupidez com
que se deixam apanhar, e por se contentarem com ninharias,
e também por se esquecerem do calaboca da imprensa.
No caso Francenildo x Palocci, quando a denúncia foi
feita, os petistas cometeram a estupidez de mandar bisbilhotar
na conta do caseiro se havia algum depósito que parecesse
propina. Ao constatarem que havia, deviam ter pedido a algum
juiz a quebra de sigilo bancário do Francenildo, mas
resolveram imprimir o extrato, sujando a imagem da Caixa
Federal e provocando a queda do ministro.
Os petistas caíram na mesma esparrela quando foram
abordados pelos sujíssimos irmãos Vedoin dizendo
que teriam um dossiê para vender sobre o envolvimento
de José Serra na compra fraudulenta de ambulâncias
pelo esquema dos sanguessugas. Encheram malas com o equivalente
a oito cuecas de dólares e foram para um hotel cair
feito patinhos nas garras dos federais.
O eleitorado brasileiro admira mesmo é quem rouba
alto e não se deixa apanhar, como os assaltantes do
Banco Central de Fortaleza, como o assaltante inglês
do trem pagador, Ronald Biggs, e como Adhemar de Barros.
Se colocarmos numa perspectiva histórica internacional,
admiram também um membro da Opus Dei no Brasil, seita
católica de extrema direita e extrema ganância,
herdeira da Inquisição Espanhola que queimou
na fogueira vários ricaços da Idade Média
para se apossar de seus bens e seu patrimônio. O membro
da Opus Dei no Brasil é Geraldo Alckmin.
|